Há um ano atrás, concedi uma entrevista para o jornal “O Valor Econômico” da cidade de São Paulo, falando sobre o mercado de ação cultural e eventos no Brasil.
Depois de veiculada a matéria fiquei refletindo sobre meu verbete. Na matéria disse que o Brasil ainda precisa obter uma confiança maior no atual “homem da pasta da cultura”.
Algum tempo depois do jornal chegar às bancas, viajei até uma “cidadezinha” de aproximadamente 140 mil habitantes para participar de uma reunião de negócios. Meu conceito mudou.
Descobri que para esse país começar a entrar no eixo, não só precisamos apostar todas nossas fichas no “homem da pasta da cultura” mais também, reservar algumas àqueles nomeados para representar o executivo em um evento que SIM, representa o município. Foi o que fiz.
Veja bem, quando digo que SIM representa um município, me refiro sobre a dotação – gostei dessa palavra – de R$ 350 mil que sai do município e destina-se a uma associação com o objetivo de alicerçar um grande evento que cá entre nós, é de interesse da cidade. Ele soma intercâmbios comerciais e industriais, fomenta a economia municipal além da contra-partida sócio-cultural.
Quando temos mão de obra e prestação de serviço local, é obvio que o governo municipal prioriza a contratação destas empresas. Uma vez constatada competência para tal.
O fato é que temos SIM uma empresa nesta “cidadezinha” de 140 mil habitantes que presta este tipo de serviço e em cada evento realizado gera mais de 300 empregos diretos e indiretos.
Uma empresa que já trabalha há mais de 5 anos representando a bandeira desta “cidadezinha” onde quer que ela passe. Já produziu eventos no Brasil e América Latina para empresas como: Jaguar, VIVO, MTV, C&A, Saraiva, Fasano entre outras do mesmo porte.
O estranhamento neste caso específico é que esta empresa sediada nesta “cidadezinha” passou uma proposta para a realização de um evento no valor de R$ 430 mil reais e teve sua proposta negada sob justificativa de que não havia verba disponível para tal proposta. Dias depois foi aprovado um orçamento de uma segunda empresa pertencente a um outro município que excedia em R$ 60 mil reais o valor da primeira proposta. Detalhe: a grade artística da empresa sediada na “cidadezinha” não deixava a desejar. Prova disso é que a atração ancora foi mantida assim como o discurso para a promoção do evento para a imprensa.
A verdade é que fatos como este é recorrente em lugares onde não encontramos ética e nenhum reconhecimento.
Vamos aos números:
O índice de capital investido no setor de eventos empresariais (e corporativos) supera o número de R$ 420 milhões (ano) só no interior de São Paulo. Já os eventos financiados (e promovidos) pelos governos municipais do interior paulista, ultrapassam a casa dos R$ 900 milhões (ano). Se a empresa contratada for sediada ou filiada na cidade onde será realizado este evento ela gera em média mais de 100 empregos diretos e 300 indiretos, sem falar dos tantos impostos e taxas que ficam retidos no município, favorecendo o giro e estimulando o crescimento natural.
As últimas pesquisas do IBGE mostram que a cultura no país assumiu uma importância de 6% a 7% do PIB. O PIB nacional está hoje em torno de R$ 2,3 trilhões e precisa crescer em torno de R$ 110 bilhões para manter o ritmo, as políticas sociais, a confiança nos governos e nas suas instituições.
Certamente, este é um assunto sobre o qual todos nós (brasileiros) interessados na promoção social e no bem-estar do nosso povo, deveríamos pensar. Apoiar a cultura, é apoiar o Brasil, é pensar em soluções no lugar de amargurar a crise.
Investir em eventos é procurar caminhos e trilha-los. Investir em eventos contratando empresas da nossa terra (cuja competência para determinado fim é inquestionável), é pensar no obvio.
Já que estamos falando aqui em senso comum, parafraseando Nietzsche vale lembrar que: “Para que haja homens maus basta que os bons não façam nada.”