domingo, 15 de agosto de 2010

SE

Se és capaz de manter a tua calma quando
Todo o mundo ao teu redor já a perdeu e te culpa;
De crer em ti quando estão todos duvidando,
E para esses no entanto achar uma desculpa;
Se és capaz de esperar sem te desesperares,
Ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
E não parecer bom demais, nem pretensioso;

Se és capaz de pensar --sem que a isso só te atires,
De sonhar --sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se encontrando a desgraça e o triunfo conseguires
Tratar da mesma forma a esses dois impostores;
Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas
Em armadilhas as verdades que disseste,
E as coisas, por que deste a vida, estraçalhadas,
E refazê-las com o bem pouco que te reste;

Se és capaz de arriscar numa única parada
Tudo quanto ganhaste em toda a tua vida,
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
Resignado, tornar ao ponto de partida;
De forçar coração, nervos, músculos, tudo
A dar seja o que for que neles ainda existe,
E a persistir assim quando, exaustos, contudo
Resta a vontade em ti que ainda ordena: "Persiste!";

Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes
E, entre reis, não perder a naturalidade,
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
Se a todos podes ser de alguma utilidade,
E se és capaz de dar, segundo por segundo,
Ao minuto fatal todo o valor e brilho,
Tua é a terra com tudo o que existe no mundo
E o que mais --tu serás um homem, ó meu filho!

"If", de Rudyard Kipling

terça-feira, 10 de agosto de 2010

JORGE AMADO


Hoje Jorge Amado completaria 98 anos.
Tem alguém já pensando em seu centenário?
Saravá!


domingo, 8 de agosto de 2010

CINEMA

sábado, 7 de agosto de 2010

POEMA DO MENINO JESUS

Num meio-dia de fim de primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
mas era outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.
Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
Um dia que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o sol
E desceu pelo primeiro raio que apanhou.
Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz ao braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba a fruta dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E que toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas
com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.
A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as coisas.
Aponta-me todas as cores que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.
Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Vivemos juntos e dois Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.
Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo um universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.
Depois eu conto-lhe histórias das coisas só dos homens
E ele sorri, porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios.
Depois ele adormece e eu deito-o.
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo-o lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.
Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate as palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.
Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar

Alberto Caieiro

E POR FALAR EM SAMBA

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

EM AFRICA

A música que anuncia que o circo está na cidade e deixa a criançada animada, ou deixava em tempos mais românticos que os nossos, deveria ser adaptada pra chegada de Mart’nália onde quer que fosse. Ver essa mulher no palco nos enche de alegria sem preguiça, dá vontade de ser feliz só de ver aquele sorriso gigante. Até no andar ela tem ginga de sambista. Mart’nália é uma artista única. Não tem ninguem como ela. Faz música com prazer, no tempo que quer e isso se imprime no resultado. É brasileira pura.

O dvd Em Africa, ela vai mostrar aqui em São Paulo. Ela conhece Angola desde menina viajando em turnê com Martinho da Vila e moleca independente como é, desenvolveu sua própria relação com o país continente.
Pra ver mais sobre o dvd e levar pra casa acesse o site da
Biscoito Fino.

Indico ouvir a música “Pé do Meu Samba”, que Caetano fez para ela, a tradução de Mart’nália que se mistura com o cenário carioca. Perfeito!

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

BOB DYLAN

PODEROSO CHEFÃO

Recebi, recentemente uma indicação de hotel.
Incrível. Francis Ford Copolla, além de cineasta e vinicultor, é proprietário de uma rede de resorts e hotéis de luxo.
Vejam este em Buenos Aires, um antigo casarão que foi transformado em hotel e que também faz parte da rede Copolla. O Jardim Escondido fica no bairro de Palermo e é aqui do lado na terra dos “hermanos”.

Font. Julia Petit

FEITIO DE ORAÇÃO

Ó garrafada das ervas maceradas
Do breu das brenhas
Se adonai de mim
E do meu peito lacerado.
Ó senhora dos remédios
Ó doce dona
Ó chá
Ó ungüento
Ó destilado
Ó camomila
Ó belladonna
Ó phármakon
Respingai grossas gotas
de vossos venenos
Ó doce dona
Ó camomila
Ó belladonna
Serenai minhas irremediáveis pupilas dilatadas
Ó senhora dos sem remédios
Domai as minhas brutas ânsias acrobáticas
Que suspensas piruetam pânicas nas janelas do caos
Se desprendem dos trapézios
E, tontas, buscam o abraço fraterno
E solidário dos espaços vácuos.
Ó garrafada das maceradas ervas do breu das brenhas
Adonai-vos do peito dilacerado e do lenho oco que ocupo.

Wally Salomão

terça-feira, 3 de agosto de 2010

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

ODEIO

Não consigo entender certas colonizações alimentícias.

Ao meu ver, deveriam ser proibidos alimentos como pururuca e torresmo!

De fato, odeio!